Como África pode transformar o investimento energético em valor económico duradouro (Por Grant Villet)
Por Grant Villet, Executivo de Desenvolvimento de Negócios e Integração, Aurex Constructors (www.Aurex.com).
A narrativa energética de África gira frequentemente em torno das descobertas de gás e do potencial de investimento. No entanto, a verdadeira oportunidade vai muito além do próprio recurso. Moçambique e a Namíbia estão a afirmar-se como actores importantes no sector do petróleo e gás em África, e o que torna estes mercados particularmente promissores não é apenas a dimensão dos seus recursos energéticos.
É o potencial dos grandes projectos energéticos para se tornarem plataformas de transformação económica mais ampla. A pergunta que devemos fazer não é apenas como desenvolver estes recursos, mas também o que construímos à sua volta e o que permanece quando o projecto estiver concluído.
A oportunidade vai muito além das instalações de petróleo e gás
Em Moçambique, a dimensão das descobertas de gás já atraiu investimento global e criou um impulso para o desenvolvimento de infra-estruturas. A Namíbia está a gerar um interesse semelhante com as suas descobertas offshore.
Estes projectos criam procura por muito mais do que as instalações necessárias para produzir ou processar gás. Exigem portos, estradas, redes logísticas, infra-estruturas de energia, telecomunicações e instalações de alojamento. Exigem também uma força de trabalho qualificada, composta por técnicos especializados, supervisores, engenheiros e gestores de projecto, apoiada pelo conhecimento técnico e operacional necessário para executar projectos de grande escala.
Os fornecedores locais capazes de cumprir normas internacionais de segurança, qualidade e execução são igualmente importantes. Este ecossistema de apoio é essencial, porque é nele que reside grande parte da oportunidade económica mais ampla.
Se o ecossistema se desenvolver em paralelo com o projecto, as empresas locais poderão participar de forma significativa e os benefícios poderão estender-se a toda a economia. O investimento energético poderá, assim, criar procura e capacidade em vários sectores, em vez de permanecer concentrado no próprio projecto.
Para a África Austral, isto representa uma oportunidade ainda maior. Os projectos em Moçambique e na Namíbia poderão reforçar as cadeias de abastecimento regionais e criar oportunidades através de uma maior segurança energética para empresas em vários países. O verdadeiro valor está em reconhecer estes projectos como plataformas para um crescimento económico mais amplo, e não apenas como activos de produção de energia.
Um projecto bem-sucedido deixa um legado
Para mim, o sucesso de um grande projecto de infra-estruturas não pode ser medido apenas pelo facto de uma instalação ser concluída dentro do prazo e do orçamento. Estes aspectos são, evidentemente, importantes, mas representam apenas uma parte da história. Os projectos com maior impacto são aqueles que desenvolvem pessoas e fortalecem as empresas locais, criando benefícios económicos duradouros muito depois de a construção terminar. Isso exige algo que, por vezes, é mais difícil de quantificar: confiança.
Os grandes projectos energéticos reúnem governos, operadores internacionais, empreiteiros, fornecedores locais e comunidades. Estas relações podem tornar-se complexas, sobretudo em ambientes operacionais exigentes, mas a nossa experiência demonstra que os projectos apresentam melhores resultados quando as relações se baseiam na transparência e em objectivos comuns.
Os problemas são resolvidos mais rapidamente. As decisões podem ser tomadas de forma mais eficaz. As partes interessadas mantêm-se focadas no objectivo maior, em vez de ficarem presas a interesses concorrentes. Em última análise, os projectos mais bem-sucedidos criam valor económico e social duradouro, a par das infra-estruturas que entregam.
A capacidade local não pode ser considerada apenas no fim
Existe frequentemente uma atenção significativa sobre o investimento e os postos de trabalho gerados pelos grandes projectos energéticos. Estes benefícios são importantes, mas devem ser vistos como parte de um processo de muito mais longo prazo. Se a participação local e o desenvolvimento de competências forem tratados como meros exercícios de conformidade, os benefícios serão inevitavelmente limitados.
Para que a participação económica local seja transformadora, tem de ser intencional. Governos, operadores e empreiteiros devem investir de forma genuína na criação de capacidade local sustentável. Isso significa criar oportunidades para o crescimento das empresas locais, investir em programas de formação e abrir caminhos para que as pessoas desenvolvam conhecimentos técnicos que permaneçam com elas muito depois da conclusão do projecto.
A medida do sucesso deve ir muito além da fase de construção. Daqui a cinco ou dez anos, as empresas locais estarão mais fortes? Os profissionais locais terão mais experiência? Terá sido desenvolvida capacidade técnica que possa ser aplicada em projectos futuros? A economia estará melhor preparada para aproveitar a próxima oportunidade? Se a resposta a estas perguntas for sim, então foi criado valor real.
Lições de ambientes operacionais complexos
A nossa experiência em Moçambique e na Namíbia reforçou outra lição importante: a capacidade técnica, por si só, não garante o sucesso. Cada grande projecto apresenta os seus próprios desafios, sejam eles logísticos, regulamentares ou operacionais.
Compreender o contexto local, construir relações sólidas e manter a capacidade de adaptação são, por isso, essenciais. Também constatámos o valor de envolver as empresas locais desde cedo e de investir em parcerias locais. O investimento antecipado em parcerias locais e no desenvolvimento de competências conduz, geralmente, a resultados mais sólidos a longo prazo.
Isto é particularmente importante quando os projectos são executados em regiões remotas ou em desenvolvimento, onde cadeias de abastecimento resilientes exigem um planeamento cuidadoso e uma forte colaboração entre as partes interessadas. Estas lições vão muito além de Moçambique e da Namíbia. São relevantes para projectos de energia e infra-estruturas em todo o continente.
A colaboração funciona melhor quando começa cedo
A complexidade dos grandes projectos energéticos significa que nenhuma organização consegue concretizar todo o seu potencial de forma isolada. Governos, empresas internacionais, empresas de engenharia e construção, empreiteiros africanos e fornecedores locais têm todos um papel a desempenhar. A colaboração é bem-sucedida quando existe envolvimento desde o início, comunicação clara e respeito mútuo entre as partes interessadas.
Os desafios tendem a surgir quando as partes interessadas trabalham de forma isolada ou quando as empresas locais são envolvidas demasiado tarde. Expectativas desalinhadas podem rapidamente gerar atritos e comprometer o potencial do projecto no seu conjunto. Os projectos mais bem-sucedidos reconhecem os pontos fortes complementares que os diferentes participantes trazem.
As empresas internacionais podem contribuir com tecnologia, experiência e investimento. As empresas locais trazem conhecimento valioso do mercado, relações estabelecidas e compreensão das condições operacionais locais. Quando estes pontos fortes são combinados de forma eficaz, todos beneficiam.
É por isso que a participação local deve ser vista como uma vantagem estratégica, e não como um requisito de conformidade. Deve ser entendida como uma fonte de capacidade e conhecimento capaz de fortalecer o próprio projecto.
Petróleo e gás e a questão mais ampla da segurança energética
À medida que a procura industrial e económica cresce, o petróleo e o gás também têm um papel importante a desempenhar no futuro energético da África Austral. Os países precisam de fontes de energia fiáveis para apoiar o crescimento económico e o desenvolvimento industrial, responder aos desafios de segurança energética e sustentar sectores como a indústria transformadora, a mineração e a indústria pesada.
É importante salientar que o petróleo e o gás não precisam de ser vistos em oposição às energias renováveis. Podem fazer parte de uma matriz energética equilibrada, à medida que os países desenvolvem os sistemas de energia fiáveis necessários para apoiar economias em crescimento. Existe também uma oportunidade regional mais ampla.
Os grandes projectos energéticos podem ajudar a ligar infra-estruturas, cadeias de abastecimento e mercados além-fronteiras. Ao fazê-lo, podem criar ligações económicas mais fortes e apoiar uma maior integração regional. A oportunidade vai além da produção de energia, abrangendo a construção de economias mais interligadas, cadeias de abastecimento mais fortes e maior crescimento regional.
A maior oportunidade e o maior risco de África
Olhando para além dos projectos individuais de petróleo e gás, acredito que África tem uma oportunidade única de utilizar os seus recursos naturais como base para a industrialização, a criação de emprego e o desenvolvimento de indústrias globalmente competitivas. No entanto, esta oportunidade traz consigo um risco significativo.
Poderemos concentrar-nos excessivamente na extracção de recursos sem desenvolver as competências, infra-estruturas e indústrias necessárias para maximizar o seu valor a longo prazo. Os recursos naturais, por si só, não criam prosperidade. O que importa é a eficácia com que esses recursos são transformados em desenvolvimento económico e crescimento empresarial sustentável.
Isto exige uma forma diferente de pensar os grandes projectos energéticos. As instalações de petróleo e gás não são o ponto final. São uma componente de um sistema económico muito mais amplo. Portos, estradas, logística, telecomunicações, infra-estruturas de energia, alojamento, competências, fornecedores locais e cadeias de abastecimento resilientes fazem todos parte deste quadro. O mesmo se aplica às relações entre governos, empresas internacionais, empreiteiros, comunidades e empresas locais.
Se estes elementos forem desenvolvidos de forma deliberada e em paralelo, o impacto de um projecto energético pode ir muito além do próprio projecto. Moçambique e a Namíbia demonstram a dimensão da oportunidade. Os seus projectos energéticos têm o potencial de reforçar as cadeias de abastecimento regionais, melhorar a segurança energética, apoiar o desenvolvimento industrial e criar oportunidades além-fronteiras. O desafio e a oportunidade consistem em garantir que África capte este valor mais amplo.
Se conseguirmos equilibrar o desenvolvimento dos recursos com o desenvolvimento de capacidades, apoiar o investimento internacional ao mesmo tempo que reforçamos a participação local e ligar projectos individuais ao crescimento regional mais amplo, o investimento energético poderá tornar-se muito mais do que uma oportunidade de exportação. Poderá tornar-se uma base para uma transformação económica duradoura. E é nesse momento que os recursos naturais de África poderão verdadeiramente tornar-se um motor para o futuro do continente.
Distribuído pelo Grupo APO para Aurex Constructors.
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Sobre a Aurex Constructors:
A Aurex Constructors é uma empresa de referência na indústria de Construção, Paragens Programadas e Manutenção na África do Sul, com mais de 40 anos de experiência ao serviço de empresas de primeira linha nos sectores de petróleo, gás e produtos químicos, mineração e metalurgia, petroquímica, energia térmica e energias renováveis. A empresa possui escritórios na África do Sul, em Moçambique e na Namíbia, disponibilizando uma gama abrangente de serviços, incluindo obras civis, estruturas, mecânica, electricidade, instrumentação, tubagem, caldeiraria (CSMEIPP), fabricação e serviços de gestão, para projectos de qualquer dimensão e complexidade.
Como empresa 100% sul-africana, detida e gerida localmente, com 51% de participação negra, a Aurex orgulha-se da sua força de trabalho altamente qualificada, com um histórico comprovado na entrega de soluções inovadoras e personalizadas de gestão de projectos, adaptadas às necessidades específicas das empresas que serve. A Aurex Constructors está empenhada em promover o crescimento e a sustentabilidade nas regiões onde opera. Procuramos a excelência.
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