Banco ABC Brasil vê movimento estrutural de diversificação do financiamento no agro
Produtores, cooperativas e agroindústrias ampliam demanda por estruturas de mercado de capitais como alternativa complementar ao crédito bancário
Produtores rurais, cooperativas e agroindústrias estão ampliando a busca por estruturas de mercado de capitais para complementar suas fontes de financiamento, em um movimento que o Banco ABC Brasil avalia como estrutural. CPRs, CRAs, FIDCs, Fiagros e operações estruturadas passam a ocupar um espaço maior na estratégia financeira do setor.
Nos últimos três anos, o volume de recursos destinados ao agronegócio por meio do mercado de capitais cresceu 166%, passando de R$ 528 bilhões, em dezembro de 2022, para mais de R$ 1 trilhão no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, o estoque de CRAs avançou 128%, de R$ 76,49 bilhões para cerca de R$ 174 bilhões.
"Estamos vendo produtores, cooperativas e agroindústrias demandarem mais alternativas de financiamento e estudarem com mais frequência operações de mercado de capitais. Não se trata de substituir o crédito bancário, mas de ampliar as possibilidades disponíveis para financiar o negócio", afirma Creginaldo Lins Barreto, Superintendente de Agronegócio, do Banco ABC Brasil.
Na avaliação de Barreto, o movimento acompanha também uma evolução da maturidade financeira do agronegócio. O acesso ao mercado de capitais exige níveis mais elevados de governança, transparência e controles contábeis, financeiros e fiscais, além de auditoria externa em determinadas estruturas.
"Para acessar o mercado de capitais, a empresa precisa estar mais preparada do ponto de vista de governança e qualidade da informação. Esse avanço contribui também para uma maior profissionalização da gestão financeira das empresas do setor", afirma Barreto.
A tendência, segundo o executivo, é estrutural, mesmo que o mercado de emissões atravesse atualmente um momento mais seletivo. Com uma melhora das condições macroeconômicas, o banco avalia que a demanda por títulos ligados ao agronegócio pode ganhar novo impulso.
A expansão também aparece nos Fiagros. Entre maio de 2022 e maio de 2026, registrando um crescimento expressivo de 1.436%. O patrimônio líquido dos Fiagros saltou de R$ 4,10 bilhões em maio de 2022 para R$ 34,77 bilhões em maio de 2024, atingindo a marca de R$ 62,97 bilhões em maio de 2026. O número de Fiagros saltou de 103 para 262 entre maio de 2024 e maio de 2026 , enquanto a quantidade de cotistas na B3 mais do que triplicou, de cerca de 180 mil para mais de 600 mil. O movimento mostra o avanço dos fundos voltados ao agronegócio tanto em volume de recursos quanto em número de veículos e investidores.
Nesse contexto, o Banco ABC Brasil vem ampliando sua atuação junto a produtores, cooperativas e agroindústrias com uma abordagem que combina crédito bancário e estruturas de mercado de capitais, de acordo com a necessidade de cada cliente. A proposta é apoiar o setor na construção de alternativas de financiamento mais diversificadas, acompanhando uma evolução que já faz parte da dinâmica financeira do agronegócio.
"Nosso papel é entender a necessidade de cada cliente e ajudar a estruturar a solução mais adequada, seja por meio do crédito tradicional ou de outras fontes de financiamento. À medida que o agro amplia suas alternativas, o banco também precisa estar preparado para acompanhar essa evolução", conclui Barreto.
FONTE Banco ABC Brasil